Concerto Ângelo Cid Neto e Mariana Dias | Festival Imersivo 2023

Dia 17 de Abril

Ângelo Cid Neto e Mariana Dias (coreografia)

com música de Daniel Teruggi, Jonty Harrison e Annette Vande Gorne


Notas de Programa:


Annette Vande Gorne
Haïkus, III: Été, 1:
Jeux d’insectes lancinants 02'44

Haïkus, III: Été, 2:
Songe d’un après-midi d’été 05'05

Haïkus, III: Été, 3:
Voyage immobile 01'24

Haïkus, III: Été, 4:
Danse folle des feux follets 01'55

Para Mario Mary
O Verão vem-me à mente por causa dos "jogos de insectos incómodos" (Jeux d'insectes lancinants) que enlameam o torpor do "sonho de uma tarde de verão" (Songe d'un après-midi d'été), uma espécie de "viagem sem movimento" (Voyage immobile). O calor do Verão excita a extravagância, a "dança espirituosa dos gnomos" (Danse folle des feux follets). Cada tableaux apresenta a sua própria escrita sónica e espacial, as suas próprias fotografias dinâmicas tiradas de Robert Schumann (Papillons, op 2, e Traumes Wirren de Fantasiestücke, op 12 nº7), Claude Debussy, György Ligeti, Paul Hindemith, Hector Berlioz, Hugues Dufourt, Modest Petrovich Mussorgsky, Jean-Michel Jarre, Antonio Vivaldi, e Sergei Sergeyevich Prokofiev. Estes conduzem o comportamento polifónico de imagens sónicas e o desenvolvimento de movimentos num espaço ambiófono dividido.

F.Bayle: Mais dinâmica, a secção do Verão (5 a 8) introduz luz, manchada de linhas sombrias (5). Um longo lenço colorido envolve um mastro (6), que continua em linhas agitadas (7). Uma pausa (8) projecta o ouvinte numa paisagem fragmentada, ainda mais agitada.

Haïkus: Été foi composta em 2018-19 no estúdio de 16 canais da M&R "Métamorphoses d'Orphée", e teve a sua estreia mundial no Rencontres Internationales de Musiques Electroacoustiques de Monaco 2019, no dia 20 de Abril.


Daniel Teruggi
Echoï 06'30

Os êchoi pertencem à tradição litúrgica bizantina; ao contrário dos "modos" que eram uma organização abstracta de escalas, eram fórmulas melódicas incluindo as características mais salientes (início, fim, progressões) de uma melodia. Muitas vezes chamadas Octoechos, eram organizadas em grupos de dois. 

Num ambiente octofónico, a ideia de oito ecos correspondentes a fórmulas melódicas que eu interpreto como objectos, não podia deixar de me seduzir. Acrescentei a isto a definição das características da ninfa Eco, de P. Commelin na sua Mitologia Grega e Romana, onde nos diz que "Em todo o lado que a ninfa ouve, em lado nenhum é visível, e sempre, se ouve algumas frases, apenas repete as últimas palavras". 

O número oito, repetições, escuta e o invisível são o êchoi desta obra; as fórmulas objecto repetidas numa variação permanente, com a repetição das últimas palavras.


Jonty Harrison
 Petit prélude parallèle 08'45

- à la mémoire de Claude Achille Debussy

Se se pode dizer que a música moderna teve um início definitivo, então começou com ... o Prélude à 'L'après-midi d'un faune' de Claude Debussy (1862-1918). [Paul Griffiths]

O Prélude de Debussy é uma das 'minhas' peças, parte da minha identidade musical. Já toquei nela, dirigi-a e ouvi-a inúmeras vezes... Composta para assinalar o centenário da morte de Debussy, esta Petit prélude parallèle segue os contornos melódicos, harmónicos e dinâmicos do original, mas inclui também referências sónicas à evocação de Mallarmé da tarde siciliana sonolenta e carregada de calor em que o Faun recorda (ou imagina) o seu encontro erótico.



Biografias:

Ângelo Cid Neto
    No que respeita às habilitações académicas detém uma licenciatura em Dança pela Escola Superior de Dança do Instituto Politécnico de Lisboa e em Bioquímica pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Tendo em conta estas duas valências, através do mestrado em Artes Cénicas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humana das Universidade Nova de Lisboa, desenvolveu um projeto de cruzamento disciplinar da ciência e da dança: “Transversalidades de processos artísticos e científicos: da ciência à dança ENSAIO entre o laboratório e o estúdio”. Este projeto contou com a participação do Polavieja Lab na Fundação Champalimaud e da Escola Superior de Dança tendo originado uma obra coreográfica “ENSAIO” e uma publicação académica “From Science to Dance Ensaio Between Lab and Studio” no jornal Kairos. Journal of Philosophy & Science. Desta forma, colabora regularmente com o Centro de Filosofia das Ciências na Faculdade de Ciências onde continua a desenvolver esta pesquisa. Paralelamente, o interesse pela educação fez com que complementasse a sua formação com o mestrado em Ensino de Dança pela Escola Superior de Dança onde realizou a sua profissionalização e estágio no contexto do Ensino Artístico Especializado. Como forma de continuar o trabalho de investigação académica, artística e educativa, presentemente, encontra-se no programa de doutoramento em Educação Artística no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Neste âmbito desenvolve o projeto “Dança, educação e criação: lugares de encontro” onde pretende refletir sobre os métodos e os processos de criação em contextos educativos.
    Paralelamente a este trabalho académico como investigador, desenvolve uma vasta atividade enquanto criador e intérprete em projetos artísticos na área da dança, daqui destaca a sua integração na companhia de dança Amálgama e participou como intérprete em trabalhos de Willi Dorner, Marina Frangioia, Tiago Guedes, David Zambrano, João Fernandes entre outros. Integrou diversos festivais como intérprete e criador: Bienal de Veneza, Materiais Diversos, Metadança, Resolution! e Wbmotion. Distingue também o trabalho no contexto do festival Metadança do qual resultou um trabalho em co-criação com João Fernandes com as peças: “FAKEDANCE ou a metáfora do encontro” (2019), “profunda pele” (2018) e “sobre a pele” (2017). Destaca o trabalho que desenvolve com a artista plástica Catarina Real em torno do texto gráfico e coreográfico do qual resultaram as peças: “Ensaio Nu / Enlace entre pensamentos” (2017), “t maiúsculo é igual à raiz quadrada de e maiúsculo vezes t minúsculo sobre quatro” (2019) e “palavras na relação 2+12” (2018). É membro do projeto Compota com a direção artística de Paula Pinto desde 2013 onde desenvolve um trabalho de improvisação e interpretação-criação multidisciplinar.
    Para além do trabalho artístico, é professor de dança no Ensino Artístico Especializado tendo trabalhado no Orfeão de Leiria – escola de dança, Escola Vocacional de Dança das Caldas da Rainha, Conservatório de Dança do Norte e, atualmente, na Escola Luís António Verney. Para além do ensino artístico nos níveis básico e secundário nas áreas da técnica de dança contemporânea e composição coreográfica é professor adjunto convidado na Escola Superior de Dança de técnica de dança contemporânea. Como formador, no Centro de formação António Sérgio, desenvolveu, no âmbito do PNPSE, a oficina “Educação, criatividade, corpo e movimento – o corpo como ferramenta educativa”, onde colabora regularmente.

Ângelo Cid Neto

Mariana Dias
Iniciou a sua formação em dança na Escola da Companhia de Dança de Almada. Licenciou-se na Escola Superior de Dança, e foi aluna na Stockholm University of the Arts (DOCH), através do programa Erasmus. Em 2021, participou no curso intensivo de Flying Low e Passing Through com David Zambrano e, em 2022, frequentou o Curso Gestão/Produção das Artes do Espetáculo do Forum Dança.

Trabalha com intérprete, performer, e coreógrafa. Já trabalhou com Paula Pinto e Amanda Piña, e cocriou, com outros artistas, as seguintes peças: com Beatriz Lourenço, a peça “VIAGEM” (Almada, 2017), com Rafael Filipe Pinto, a peça “Em Laivo” (circulação nacional e internacional, 2020-2022), e com Eva Aguilar e Bárbara Gomes, a peça “Protorretrato” (Almada, 2022).

Mariana Dias
© 
António Buska

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